Entrevista a Francisco Banha no âmbito do 7º Venture Capital IT decorrido
dias 8 e 9 de Maio.
Francisco Banha, presidente do Business
Angels Club e da FNABA
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Francisco Banha, presidente do Business
Angels Club e da FNABA |
Porque considera
determinante para o crescimento a dinamização da figura dos Business Angels
em Portugal?
A importância que damos à
figura dos Business Angels na FNABA deve-se à relevância que estes podem vir
a ter no meio empreendedor português. Para muitas pessoas este é um agente
económico ainda desconhecido e, de facto, a sua existência tem sido mais
notória durante o último ano, período em que o nosso país viu surgir Clubes
de Business Angels por todo o país e, já este ano, uma Federação Nacional de
Associações de Business Angels (FNABA) a que tenho a honra de presidir em
representação do Business Angels Club – primeiro Clube português de Business
Angels.
Actualmente apostamos na promoção da criação e desenvolvimento de fundos de
co-investimento, envolvendo angels individuais, sindicatos de business
angels e fundos de capital de risco pois este facto irá contribuir para o
aumento da comunicação entre estes actores e ajudar a colmatar o “ equity
gap” criado entre o período em que os angels estão activos e o período em
que as empresas de venture capital começam a investir.
Para além do mais, importa reafirmar a necessidade do Governo português
criar um enquadramento júridico e fiscal favorável ao desenvolvimento desta
actividade, na linha do que se faz nos países mais desenvolvidos, e por isso
importa sensibilizar os decisores públicos para as melhores práticas
internacionais que tem sido essenciais ao sucesso de tantos projectos que se
iniciam nas Universidades, Incubadoras, Parques e Escolas Tecnológicas.
A propósito do 7º Congresso EBAN,
aqui fica um excerto da entrevista a Domingos Silva, presidente do Clube de Business
Angels do Algarve, um dos clubes fundadores da FNABA.
Domingos Silva, presidente do Clube de
Business Angels do Algarve
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Domingos Silva, presidente do Clube de
Business Angels do Algarve |
Considera que este
Congresso vai ser um passo fundamental no sentido de dar maior visibilidade
à figura dos Business Angels em Portugal?
Definitivamente. Acho que os
organizadores estão de parabéns, porque não é fácil atrair 300 e tal pessoas
e o interesse da própria sociedade portuguesa. Se consultar a lista de
participantes, vê a quantidade de advogados, de gente ligada à banca, todo
mundo ligado à Euronext, por exemplo, a representação do poder político
nalguns oradores…Tem sido um trabalho de base bastante interessante por
parte do Eng. Paulo Andrez, do Dr. Francisco Banha e os clubes de Business
Angels sobretudo de Lisboa e Cascais estão de parabéns.
Temos ouvido
apresentações bastante interessantes neste primeiro dia, casos que
demonstram o sucesso do investimento via Business Angels e que são
importantes exemplos para Portugal…
O português é desconfiado
por natureza e não é alguém que tradicionalmente faça um investimento
paciente. As pessoas têm tendência a investir e querer o retorno amanhã e
isto não é assim.
No caso do Algarve, por exemplo, a cultura é um parente pobre, pois, num dia
de chuva você não tem nada para fazer. Nós, o clube de Business Angels do
Algarve, temos alguns projectos, nomeadamente de ski aquático, ao nível de
teatro, casas de espectáculo…Este tipo de investimentos são fundamentais
para o Algarve. Nós somos 8 investidores, entre todos vai custar-nos 50 mil
euros, a uma pessoa custar-lhe-ia na ordem de um milhão…Temos de olhar para
isto e dizer “vou jogar na bolsa”. Quando compro um lote de acções sei que
posso ganhar ou perder e é este tipo de atitude que se deve ter em termos
destes investimentos.
A propósito da criação da FNABA,
aqui fica um excerto das entrevistas realizadas pela jornalista Inês Henriques, no dia da constituição oficial desta associação.
Ricardo Luz, Presidente da Invicta Angels – Associação de Business Angels do Porto
| Ricardo Luz, Presidente da Invicta Angels – Associação de Business Angels do Porto |
De que áreas vêm os vossos investidores? Os nossos associados vêm de diversas áreas que representam, de certa forma, o tecido empresarial da região Norte: dos serviços, do comércio, de indústrias tradicionais, de novas indústrias, da área farmacêutica…Nos sectores chamados tradicionais conheço casos altamente inovadores e tecnológicos que mudaram de gestão, passaram de pais para filhos, foram comprados por outros, internacionalizaram-se, aproveitaram novas oportunidades, ou, por qualquer outro motivo, deram um salto que lhes permitiu crescer, conhecer novos mercados e novos segmentos, procurar capital e apoio para desenvolver o negócio. O conhecimento existe em todo o lado. Nós não temos qualquer tipo de “pré-conceito” em relação a qualquer tipo de negócio. O sector é irrelevante. O forte tecido empresarial da região Norte atrai projectos e empreendedores? Em termos de empreendedores, há claramente uma grande atracção para a região Norte, onde há muita investigação, desenvolvimento e indústria. Por exemplo, na área das medicinas da vida, a região do Porto tem 600 investigadores, que é metade daquilo que se investiga nessa área no país todo. Temos um triângulo de Universidades – Porto, Minho, Aveiro e mesmo Trás-os-Montes – que têm laboratórios e centros de investigação, onde têm vindo a surgir empresas muito inovadoras, algumas que já estão no mercado. O nosso objectivo é descobrir potenciais empresas inovadoras e ajudá-las a trazer o produto ou serviço criado, desde a investigação até ao mercado. O que é preciso para captar a vossa atenção e o vosso investimento? Em primeiro lugar, é preciso ter um projecto que, de alguma forma, seja diferenciador no mercado. Ou seja, aquele produto ou serviço que vai colocar no mercado deve fazer a diferença, portanto, deve ser útil para suprir alguma necessidade que exista ou criar uma nova oportunidade. Segundo, o produto ou serviço deve ter um grande potencial de crescimento actual ou num futuro próximo. Em terceiro lugar, é preciso que o líder e a sua equipa sejam capazes de implementar esse projecto. Finalmente, o Business Angel deve acrescentar valor ao projecto, não só com o investimento financeiro, mas com o investimento em conhecimento, em redes de contactos, em acesso ao mercado.
José Alberto Fonseca, Presidente do Clube de Business Angels da Covilhã | José Alberto Fonseca, Presidente do Clube de Business Angels da Covilhã |
O que espera que a criação da FNABA traga à sua região? O que é importante é que a nossa região não fique para trás, como ficou durante muitos anos e a criação da FNABA é um esforço nesse sentido. A filosofia é aproveitar, desenvolver e dotar a região de todos os mecanismos necessários para que as empresas possam aparecer. O Parque de Ciência e Tecnologia e a Universidade (aos quais nós estamos muito ligados), que é sempre uma nascente de novas ideias e iniciativas, são outras armas, digamos assim, neste sentido. Mas não é só a região do interior que precisa disto, todo o país está atrasado relativamente à Europa.
Paulo Andrez, Presidente do Clube de Cascais – Associação de Investidores de Cascais | Paulo Andrez, Presidente do Clube de Cascais – Associação de Investidores de Cascais |
De que áreas vêm os vossos Business Angels? Os nossos investidores vêm, sobretudo, da área do turismo e novas tecnologias, nomeadamente as ligadas ao ambiente. Têm investidores mais mediáticos no vosso Clube? Do clube de BA fazem parte investidores que são relevantes na região. Entre os investidores mais mediáticos, temos o Comendador Rui Horta, fundador do grupo Top Atlântico, que foi dar à Espírito SantoViagens e que é o maior operador de agentes de viagens em Portugal e o Dr. Nandim de Carvalho. O que é, no vosso entender, um bom projecto empreendedor que mereça ser financiado? Primeiro o projecto tem que ter um bom promotor, depois tem que ser um bom projecto. Funciona assim: primeiro a equipa, depois o projecto. Um bom projecto é aquele que vai suprir uma falha no mercado e que é efectivamente uma oportunidade, porque existem boas ideias, que são nichos de mercado e que não têm dimensão. Até pode ser uma ideia inovadora, mas que não tenha mercado. |