Semana Nacional de Business Angels
Estoril - Feedback
A propósito do segundo dia da Semana Nacional de
Business Angels, que decorreu na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do
Estoril, convido-o a ler algumas entrevistas, feitas pela jornalista Inês
Henriques, aos intervenientes no evento.

Carlos Carreiras,
Vice-Presidente da CM de Cascais |
Como está a correr a DNA Cascais?
Está a correr acima das nossas expectativas. Neste momento, os resultados são
excelentes. Mas, serão ainda melhores quando começarmos a ver empresas a ser
criadas, postos de trabalho a surgir, isto é, riqueza a ser constituída no
Conselho de Cascais. O dia 27 de Março será o primeiro passo nesse sentido,
porque vamos apresentar as primeiras 12 empresas.
Quais são as suas expectativas para o Congresso da EBAN de Abril?
De acordo com a política da Câmara de Cascais, é importante captar, fixar e
desenvolver conhecimento, competências e competitividade, para além de
investimento. Nesse sentido, este tipo de eventos, sobretudo em áreas
inovadoras, são muito positivos.

Luís Mira Amaral, Presidente
do Fórum para a Competitividade |
Qual o interesse do Fórum para a Competitividade
em participar nestas iniciativas?
O Fórum para a Competitividade, como o próprio nome indica, está interessado em
participar em todas as iniciativas públicas e privadas que tenham a ver com a
competitividade das nossas empresas. O país precisa, como pão para a boca, de
empreendedorismo, de novos empresários, novas iniciativas empresariais e,
naturalmente, de financiar essas iniciativas. Portanto, os Businesss Angels em
Portugal, como na Europa ou nos E.U.A, são uma forma muito interessante e
apropriada de ajudar no lançamento de start-ups, pois estes “anjos do negócio”,
podem não só fornecer o capital necessário para o arranque, como as suas redes
são de informação e permitem, de facto, que as ideias e projectos circulem e
encontrem alguém que os queira apoiar.
Porque considera que a figura dos Business Angels tem demorado tanto tempo a
atrair a atenção das entidades públicas, ao contrário do que aconteceu, por
exemplo, em outros países da Europa?
Porque Portugal é um país pouco inovador em termos de Administração Pública,
cuja lógica é muito tradicional, muito conservadora, no mau sentido do termo. As
políticas públicas ainda não estão suficientemente agilizadas e de mente aberta
para o apoio ao empreendedorismo e aos Business Angels. Infelizmente, continuam
mais direccionadas para o apoio financeiro a fundo perdido, a compras de
equipamento, à construção de edifícios, mas tudo isso é economia física do
passado. A economia do século XXI é empreendedorismo, conhecimento, inovação.
Nestes campos, o Estado ainda não é inteligente, como já o são os Estados dos
países nórdicos, que têm apoiado estas iniciativas. O sucesso de países como a
Finlândia não se deve só ao sector empresarial privado, deve-se sim a uma
conjugação entre políticas públicas inteligentes e dinamismo empresarial
privado. E essas políticas têm faltado em Portugal.
Citações
“Estas iniciativas de Business Angels não se cingem só a Lisboa ou a Cascais,
mas, cobrem todo o país e devem ser enquadradas em estratégias regionais de
desenvolvimento.”
“Toda esta questão do empreendedorismo, que nos permite diversificar a nossa
base económica (a falta de diversificação da base económica é um grande problema
de Portugal), é crucial.”
“Nos incentivos fiscais e ganhos de capital tem que haver uma atenção dos
governos para tipos que correm riscos…”
“Um país com o nosso clima, a nossa qualidade de vida, deveria estar a atrair
capital do estrangeiro, a atacar e não a jogar à defesa.”
João Pereira, PME Capital
Qual é o melhor exemplo de parceria que pode existir entre Business Angels e
investidores institucionais?
O melhor exemplo que nós podemos dar é o da relação que existe entre o
investidor institucional mais formal que é, neste caso, a PME Capital e um
investidor mais flexível, mais informal, como o Business Angel. Este último está
fisicamente mais próximo, porque está diariamente presente no acompanhamento, no
suporte da empresa, do empresário, na abordagem do mercado, dos financiadores e
da própria organização, da forma como devem estruturar-se as propostas que
chegam aos clientes. Nós, enquanto entidade mais institucional, temos uma equipa
que acompanha normalmente e que faz esse trabalho junto das participadas, das
empresas onde nós investimos, mas quando se trata de projectos mais pequenos
temos dificuldade em fazê-lo.
É essencial para quem está no mercado ter a capilaridade geográfica suficiente
para conseguir estar próximo de onde estão a ser originadas as propostas de
criação de empresas. Nós podemos conseguir isto criando a nossa própria
estrutura para localmente captar e apoiar o surgimento dessas propostas
empresariais, mas seria economicamente pesado para a dimensão que temos. Assim,
a opção é basearrmo-nos em plataformas geograficamente dispersas e que já estão
implementadas localmente, pelo que conseguem oferecer suporte a quem, por
exemplo, ainda está no amadurecimento da ideia, permitindo que ela eventualmente
seja estruturada num plano de negócios, numa aposta financeira, que depois é
apresentada a investidores, sejam eles particulares ou institucionais como a PME
Capital. A DNA Cascais, por exemplo, ou a AUDAX, em Lisboa, são dois exemplos
dessas plataformas informais, que permitem que a PME Capital esteja sempre
presente, mesmo que não seja fisicamente.

Luis Santos, IAPMEI |
Luis Santos, IAPMEI
Já foi concretizado algum projecto, no âmbito do programa FINICIA, que tenha
beneficiado do co-investimento com Business Angels?
Neste momento estão a ser negociados os primeiros projectos a ser desenvolvidos
em conjunto com Business Angels e com sociedades de capital de risco.
O que é preciso fazer para incentivar essas parcerias?
Continuar a dinamizar as plataformas de proximidade onde estão várias entidades:
universidades, escolas superiores, politécnicos, Business Angels, sociedades de
capital de risco. É isso, por exemplo, que a Câmara de Cascais e a DNA Cascais
têm feito, juntando um conjunto de parceiros de proximidade. Quantos mais
parceiros estiverem envolvidos, melhor se conseguirá assegurar, desde a captação
das ideias, até à concretização através do financiamento e, numa fase de
arranque, o aconselhamento – em que os Business Angels têm um papel fundamental.

Paulo Andrez, Presidente do
Clube de Cascais e membro da Direcção da FNABA |
O que achou dos projectos empreendedores
apresentados hoje?
Demonstram a necessidade de haver Business Angels. Ou seja, os projectos, por si
só, teriam dificuldade em ter aprovação, seja de crédito bancário, seja de
capital de risco e a existência de Business Angels pode viabilizá-los. Qualquer
uma das ideias apresentadas tem dimensões diferentes e por isso têm riscos
diferentes, mas todas são interessantes.
Como está a correr a Semana Nacional de Business Angels?
Hoje tivemos muito mais pessoas do que estávamos à espera, o que demonstra que,
efectivamente, a mensagem esta a passar e que as pessoas percebem o interesse
dos Business Angels para os seus projectos.
É preciso aparecerem as primeiras ideias concretizáveis, depois é como na bolsa!
Quando as pessoas perceberem que os Business Angels podem gerar sucesso e
investimento…Estamos ainda no início e é um trabalho lento que é preciso ser
continuado.
Alexandre Carvalho, do
projecto iMedical
Quais foram as principais barreiras que encontrou para lançar a sua ideia de
negócio?
Fundamentalmente, foram dificuldades relacionadas com a regulamentação do
enquadramento do serviço nacional de saúde e, inclusivamente, na relação com os
parceiros. A área da saúde tem uma estruturação muito rígida, quer ao nível de
prestadores sociais de saúde, quer ao nível de investidores, quer ao nível
regulamentar. Barreiras estas, que criaram alguma dificuldade junto dos
potenciais financiadores.
Quanto a estes financiadores, houve uma grande abertura para analisar o
projecto. Mas, como é evidente, colocaram o acento tónico naquelas dificuldades
identificadas inicialmente e que teriam de ser ultrapassadas através da
intervenção de Business Angels, isto é, especialistas dentro de alguns
segmentos-chave do projecto, que seriam, no fundo, a fonte de resolução desses
mesmos problemas.
Qual é a grande mais-valia destes especialistas, como lhes chamou, para os
empreendedores e os seus projectos?
Existem três elementos-chave que os Business Angels podem resolver. O primeiro,
know-how – os conhecimentos específicos dentro de uma área, que podem
reforçar-se e interajudar-se dentro do próprio projecto –; no meu caso concreto,
fui buscar três investidores com três competências distintas. Um segundo
elemento, networking, na medida em que é muito importante que os Business Angels
tenham uma capacidade forte de reunir outras pessoas, quer seja a título
comercial, quer seja a título de recursos humanos, ou até mesmo de contactos com
peças-chave para consolidar o projecto. A relação com os profissionais de saúde
foi o elemento fundamental no meu caso. O terceiro critério, branding. É
fundamental ter uma marca que seja reconhecível para o exterior e, na área da
saúde, falar de uma clínica Mayo, por exemplo, seria, obviamente, um branding
importante. Os investidores que estão neste projecto são, aliás, não apenas
pessoas extraordinariamente competentes do ponto de vista técnico, mas,
altamente conhecidas no mercado e, por isso mesmo, reforçam também a marca do
próprio projecto.
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